A profissão de corretor de imóveis vai acabar?

Este assunto é polêmico, as opiniões são diversas, mas se todos se fazem a mesma pergunta, mesmo os que acham que não, que a profissão não está perto do fim, concordam que haverá uma grande restruturação.

Há poucos dias, participando de um evento de empreendedorismo ( tenho participado de todos que posso, pois estou montando uma startup dentro do ramo imobiliário), o palestrante, que não vou mencionar o nome por questões éticas , mas que admiro e sigo seu trabalho, me deu o maior banho de água gelada bem no momento em que estava com o corpo quente pelo sol! Nem preciso dizer pra vocês o tamanho do choque térmico que levei!

Suas palavras ficaram martelando na minha cabeça que, apesar de serem duras, tinham fundamento, pois até eu mesmo já havia tido flashs de pensamentos semelhantes!

Opiniões fortes e fundamentadas.

Querem saber o que ele me disse?

Pois bem, preparem-se porque foi forte, principalmente para quem é da área imobiliária.

Ele falou a seguinte frase: “Por que você vai investir num mercado morto? Daqui há dez anos não haverá mais compra e venda de imóveis, pelo simples fato de que as pessoas não terão dinheiro e as que tiverem, não irão mais querer imobilizá-lo, preferirão outros investimentos”.

Animador né? Ainda mais pra eu que estou toda empolgada com meu projeto da startup.

Quem falou isto não era uma pessoa qualquer e sim um renomado palestrante, investidor internacional que participa de fundos milionários e faz parte de um seleto grupo de empresários que fazem mentoria conjunta em Harvard. Portanto, não poderia jamais, banalizar sua opinião.

Durante todo evento e também no outro dia, no café da manhã onde seguimos com a mentoria, minha postura foi de argumentar dentro de minha reles experiência e entendimento do setor, de que não concordava que seria assim tão radical a mudança, pois afinal, moradia é algo tão importante quanto comida às pessoas; mas  por fim, já estava já pensando em achar outra alternativa para seguir o projeto que havia começado, porém, em um outro formato.

A necessidade de reinvenção e inovação é urgente.

Mas estes pensamentos, após uma reflexão durante uma caminhada, onde costumo refletir, logo deram lugar a uma certeza ainda maior de que deveria seguir com meu propósito, porém, com mais urgência, muito mais urgência!  Pois é isto o que está comandando e sendo vital ao nosso e todos os outros mercados, a URGÊNCIA em inovar e se antecipar aos fatos.

Enxergar as tendências, buscar conhecimento e aperfeiçoamento, nos manterá vivos.

Analisando melhor cada opinião, partindo da teoria do mentor ao qual me referi, onde ele diz que o mercado imobiliário está morto, que as pessoas não irão mais querer ou ter dinheiro para investir em imóveis , que não existirão mais corretores e outras opiniões alheias de que os corretores serão substituídos por robôs ou simplesmente não seriam mais necessários, digo que discordo de todas e vou explicar porque:

PRIMEIRO: A teoria de que o mercado está morto ou prestes a morrer, eu pergunto como um mercado pode morrer se atende a uma necessidade primária da população? Considerando o número de pessoas existentes no planeta e que todas têm a necessidade de morar, por mais que não comprem mais imóveis, teriam que ter acesso a eles de alguma forma, e daí, quem viabilizaria isto?

SEGUNDO: Sobre a teoria de que as pessoas não terão mais dinheiro para comprar imóveis, pergunto: Seria a falência da nação? Não surgiriam então novas formas, mais viáveis financeiramente de se adquirir um bem para moradia? Ou uma fração de bem? A venda fracionada não seria uma alternativa? A permuta total ou parcial também não seria uma saída? Ainda dentro desta possibilidade, sendo então investidores a comprarem e alugarem seus imóveis, quem os colocaria diante das oportunidades? Quem administraria as carteiras de imóveis?

TERCEIRO: E perspectiva de que as pessoas não irão mais querer investir em imóveis e sim em viagens e bens não tangíveis?

Nesta previsão eu acredito e concordo que boa parte das pessoas troquem o prazer de ter um bem pelo prazer de viajar, por exemplo. É uma tendência forte entre os mais jovens, na geração Y é onde mais se definirá este paradigma, mas, sempre existirão os que pensarão diferente e talvez esta geração queira sim investir em imóveis, mas não na tipologia disponível hoje em dia e sim, em novas tendências de arquitetura e valores agregados mais adaptados a eles. Fora isto, as gerações intermediárias ainda têm um bom tempo pela frente. http://angelicavieira.com.br/construtoras-apostam-em-novo-conceito-de-moradia-para-reaquecer-o-mercado-imobiliario/

Diante de todos estes cenários, vejo a possibilidade forte de, cada vez mais, a permuta ser uma alternativa fortemente viável, hoje em dia já o é. Vejo a possibilidade da compra fracionada se tornar realidade assim como os  fundos imobiliários  e, diante de todos eles, não consigo imaginar, tanto pelo volume de negócios quanto pela burocracia e a crescente falta de tempo das pessoas, que exista alguma possibilidade de se extinguir a profissão de corretor de imóveis. O que vejo sim, é uma constante readaptação as novas tendências de mercado.

Se não oferecermos mais “valor” , nós mesmos nos excluiremos.

O que faz com que todos falem na extinção da profissão de corretor de imóveis, assim como a de advogado e contador é a má qualidade dos serviços prestados por boa parte destes profissionais a um custo alto, com isto, as alternativas para tentar acabar com estas profissões estão sendo, cada vez mais, exploradas pelas Startups, mas o que os inovadores dos mercados devem investir e priorizar, assim como eu,  é integrar e qualificar os profissionais para que prestem um serviço realmente de qualidade e valor a população.

Por: Angélica Vieira

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